“Dizem que Xangô mora na pedreira, mas não é lá sua morada verdadeira.”

Partindo desse refrão de uma música de Xangô, título desse pequeno texto, é que parto para as minhas reflexões em relação à energia desse Orixá.

Segundo José Flávio de Barros (Pallas, 2009), Xangô foi o quarto rei de Oió, uma cidade iorubana do continente africano. Como um grande guerreiro, Xangô, em alguns estudos acadêmicos, é considerado um homem que viveu na terra, mas há controvérsias. Destruiu com seus feitiços o palácio real em que estavam suas mulheres e seus filhos, por isso desapareceu numa fenda em um solo, e tal fenômeno lhe conferiu o estado de um orixá.

Na verdade, seja humanizado ou não, Xangô vive no Orum. O rei justiceiro sempre protege a existência de seus adeptos, dando lhes proteção e boa sorte. Esse orixá sempre foi feiticeiro e assim seus filhos também o são. A característica de “cuspir fogo” quando raivoso é um aspecto que o diferencia dos demais orixás. Esse fogo não é o relacionado ao avanço da metalurgia e a conservação de alimentos[1](BARROS, 2009, p.139), são os meteoritos, vulcões, ou seja, elementos pertencentes à natureza.

Retomando ao início na cantiga de Xangô e deixando de lado os aspectos acadêmicos pesquisados, urge dizer que a morada de Xangô não é na pedreira, mas no nosso subconsciente., na nossa razão de ser. Ser justo é ser um bom espiritualista. Não prejudicar o outro, não blasfemar contra o outro, não colocar palavras em vão que possam prejudicar o próximo. Ser justo, honesto, leal a sua religião, ao seu zelador, ao seu par do dia, após dia.  Estas são as moradas verdadeiras de Xangô, o rei da justiça, aquele que afere quando partimos para uma outra vida, e quando lá chegamos, pesa o que instruímos enquanto nos foi dada a oportunidade de aperfeiçoamento. Conta a lenda que uma turista perguntou a um hindu na Índia: “é aqui que você mora? É aqui a sua casa ?” e o hindu respondeu, “sim, mas é que estou só de passagem”

Por Maria Cristina Marques

“A Umbanda permanece para toda eternidade”

Malandro do Oriente


[1] Obra: “A Fogueira de Xangô” – José Flávio de Barros – ed. Pallas

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